Dia do Bacamarteiro é celebrado no Dia de São João com encontro de batalhões em Caruaru

Texto: Wanessa Pimentel

No dia 24 de junho, quando é celebrado o Dia de São João pelo calendário católico, em Pernambuco é também o Dia do Bacamarteiro. A data especial foi comemorada em Caruaru nesta segunda-feira com um encontro de grupos no Estádio José Luiz de Lacerda (Lacerdão), onde cerca de 1280 bacamarteiros, de 15 cidades, participaram nas apresentações dos 37 batalhões que compareceram ao evento, do modo que eles mais gostam de celebrar: dando tiros de bacamarte.

Após as apresentações, os grupos seguiram em desfile pela Avenida Agamenon Magalhães, com muito forró pé de serra levado pelos batalhões, em direção à Estação Ferroviária. No local, um outro “batalhão” aguardava ansioso a chegada dos bacamarteiros que foram vistos passando pela avenida: o de turistas e visitantes. No Polo dos Brincantes (da estação) uma homenagem foi realizada para o saudoso bacamarteiro José Galvão, do Batalhão 16, de Lagoa de Pedra, zona rural de Caruaru, e todos os grupos receberam troféus de participação com a foto do homenageado.

“É uma emoção muito grande para mim e toda família poder estar aqui, mais uma vez, participando desse desfile na avenida. Eu só tenho a agradecer à Fundação de Cultura. É muito importante manter a tradição do meu pai, por isso eu cuido do Batalhão 16, junto com minha irmã e meus parentes”, declarou José Galvão Filho, ao receber a estatueta das mãos do Presidente da Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru, Rubens Júnior.

O encanto se via no olhar de cada pessoa que observava o enorme cortejo dos componentes em seus trajes típicos na cor predominantemente azul, com lenços vermelhos no pescoço, chapéus e bacamartes nas mãos, como a carioca Rosimery Gomes. “Eu fiquei emocionada quando me deparei com esse batalhão enorme. Eu não sabia que existia bacamarteiro. E essa quantidade que foi, eu fiquei impressionada. Acabei tirando muitas fotos para guardar esse momento”, afirmou Rosimery Gomes.

Para a caruaruense Edileisa Maria Feitosa, de Lajedo do Cedro, zona rural de Caruaru, a emoção foi a mesma da carioca Rosimery. Ambas puderam ver pela primeira vez um encontro como esse. “Eu nunca tinha vindo nesse desfile. Para mim foi a primeira vez. Eu acho muito linda essa a tradição que se passa de pai para filho. Inclusive, meu marido está participando de um batalhão e eu quero ver meu filho participando também no ano que”, ressaltou.

O que diz a tradição?
De acordo com a lenda, os caruaruenses que lutaram na Guerra do Paraguai retornaram dando tiros para festejar a vitória e daí teria surgido os bacamarteiros, uma tradição mais antiga que o próprio município de Caruaru. O bacamarte, segundo o historiador José Urbano da Silva, é um arma criada pelos espanhóis no final do século XVII, nomeada pelos franceses como “Bacamarte”, utilizada também pelos ingleses nos processos de colonização.

A arma chegou ao Brasil no final do século XIX, durante o processo do Brasil contra o Paraguai na guerra, em 1865. Segundo o historiador, é uma arma que não serve para o combate, pois, por mais habilidade que o armamentista tenha, se demora pelo menos dois minutos para carregá-la, então não serve para combate. É uma arma pouco letal, que serve para se utilizar “de assalto”, ou seja, numa estratégia de invasão, onde o que se destaca é o estampido que “assombra” o inimigo.

Sobre a vestimenta dos participantes dos batalhões, o tecido de brim azul é uma mudança feita na estética do cangaço por Lampião, que após um encontro com Padre Cícero em 1926, no Juazeiro, fez uma promessa ao padre e à Nossa Senhora da Conceição, e a partir daí começou a utilizar a cor como proteção e apoio imaginário ao manto de Nossa Senhora. Antes, a cor utilizada pelo bando era o brim bege, mais fácil de se camuflar na caatinga.

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